Leiam, reflitam, sonhem, viajem e comentem... Os comentários são importantes para sabermos suas opiniões.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

AMORES QUE RECICLAM



Duas meninas lindas
Que chegaram por aqui
São duas as netinhas
Menina Manu e Menina Gabi.

Uma muito calminha
A outra nem tanto
Ficam as duas felizes
Quando chegam ao meu canto

Muita é a bagunça
Miudezas pra pegar
Não querem só olhar
Querem mexer e brincar

A casa ganha outra vida
Nos curtos finais de semana
Viram tudo pelo avesso
Meninices que a dupla emana

A alegria espalhada contagia
A vovó coruja se dedica
Os pais se acomodam em demasia
E o vovô babão só implica

Mas quando se vão embora
E às suas casas tornam
O belo domingo se fecha
E os avós tristes choram

Só quem tem netinhos sabe
A alegria que eles aplicam
Mudam toda a nossa vida
Com o amor que nos reciclam

                  Alexandre Taissum

 * Este poema é uma homenagem às minhas
netinhas Manuela e Gabriela.


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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A DANÇA DAS SOMBRAS



Foi-se a noite, madrugada entrou,
Sais e aromas, ruídos e sussurros.

Eu tenho olhos igual a você,
Mas você não vê as coisas que eu vejo.
Eu tenho sentimentos igual a você,
Mas você não sente as coisas que eu sinto.
E eu estou muito longe agora
Para anunciar a você as coisas que eu vejo
E as coisas que eu sinto.

Eu vivo inquieta e indecisa
Esperando um encontro que não vem,
Eu durmo ansiosa e indecisa
Esperando um sonho que não vem,
Sem saber se o tempo volta.
Aí eu ia poder te dizer uma coisa,
Nem que fosse só mais uma vez...

São ruídos cada vez mais soturnos,
São sombras cada vez mais profundas
À medida que a madrugada avança
E toma conta do céu,
Deixando entrever brilhos ardentes.

Nem sempre a estrela que te brilha mais
É a que te parece mais próxima.


                                             Sheila Camargo


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domingo, 27 de maio de 2012

PITTY



Em breve,
Pitty correrá pelo jardim
faceira e arteira,
atrás de borboletas...
Em seu rosto não haverá
Maus tratos e queimaduras
que lhe façam acreditar
num mundo sem candura.
E a bolinha rolará...
pelas escadas da vida
sem sofrimento e sem dor.
Pois agora,
bem longe da loucura...
Num lar de ternura,
Pitty encontrou o amor.

                      Cristina Ferber


*Poema em homenagem à minha mãe
que acolheu a cadelinha Pitty.


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INSONOLÊNCIA



Ao longo da noite percebo
Uma tranqüilidade infinita
Que não me faz falta o febo
E até sua luz me limita

Na imensidão que me oferece
Mesmo acordado me faz sonhar
E de insônia meu corpo padece
Mas sempre atento pra poetizar

E os poemas se vão alados
Se perdendo pelo mundo incerto
Talvez levando poesias de agrados
A quem precise de alguém perto

Por isso à noite reverencio
E todo seu silencio de ocasião
Nela vivo momentos que aprecio
E me entrego de toda paixão

Felizmente as noites existem
E me trazem momentos de ilusão
Felizmente insônias insistem
E eu jamais madrugo em vão...

                         Alexandre Taissum


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sábado, 26 de maio de 2012

O COMPOSITOR



Com um violão
E caneta nas mãos
Se faz poesias
Se faz canções
Se faz amigos
Se descobre paixões
Se envolve perdido
Sem reflexões
Ouve pedidos
Sem obrigações
Sentimentos medidos
De muitas emoções
Com versos arredios
Em sonetos chorões
O violão toca
Os dedos dão nota
A voz canta
O olhar brilha
E o coração estribilha...

        Alexandre Taissum


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sexta-feira, 25 de maio de 2012

SUA CARTA



Na sua carta de amor
Que não falava de amor
Disse que me esqueceria
Definindo num pequeno papel
Que não mais me queria
E seu sentimento infiel
Escreveu o que faria
Carta que mais trazia
Linhas ameaçando terror
Por vingança tirar seu amor
Caso eu não mais voltasse
A olhar nos teus olhos
De brilhos preciosos
Lindos como esmeraldas
Mas traiçoeiros e maldosos

              Alexandre Taissum


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MEU REI



Meu Rei me guia por águas calmas
e solos férteis e planos.
Em suas terras não há vento
Nem lágrimas de desencanto.

Com Ele nada temo,
não conheço incertezas e ansiedades
pois Meu Rei só tem palavras
de doçuras e bondades.

Em seus olhos encontro o céu
em sua voz encontro o mar
em seus gestos me entrego ao mundo
amando a todos e me deixando amar.

Quando estiver aflito,
vá às terras do Meu Rei
ande pelos seus caminhos
E ouvirá: Nunca te deixarei!

                                        Cristina Ferber


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quarta-feira, 23 de maio de 2012

A FOME



Estou faminta
Sinto um vazio
A me preencher
Necessito 
Absorver
Conteúdo
Útil
Devorar
Conhecimento
Recuperar
Tempo
Perdido
Alimentar
A alma
E começo
Logo
Saco vazio
Não pára
Em pé!

        Adri Verdi


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TREZE ANOS



Quem resiste a um sorriso sincero?
Quem resiste a momentos de paz?
O toque do violão 
É puro aconchego
Calmaria teu olhar
Me traz
Sereno menino
Mãos ágeis
Invoca a melodia
Me faz admirar
Ah... que bom, menino
Mesmo sentindo
Alguma tristeza
Tu me encoraja
A superar.

                     Adri Verdi


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BUMERANGUE POÉTICO



Um sorriso,
um abraço,
uma palavra amiga,
vêm e vão
tal como o bumerangue
fonte de inspiração.
Ações positivas
e altruístas
criando um mundo de paz,
protegendo a vida,
encontrando no dia a dia
a felicidade prometida.
Arremesse seu bumerangue
E aguarde o retorno...
Leveza e suavidade virão
mandando embora o  transtorno,
e a  humildade será
seu mais belo adorno.
Arremessei meu bumerangue!

                           Cristina Ferber


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CHEIA AMAZÔNICA



Águas
Sobem
Calmamente
Impiedosas
Invadem
Humildes
Lares
Já ultrapassam
Marca histórica
Ajuda
Chega
Sempre 
Bem-vinda
Mas 
E quanto
Ao desconforto
De viver
Dentro 
Da água?
Admiráveis
Pessoas
De vida 
Nada 
Fácil
Encaram
Este desafio
Difícil
A vida
Por aqui
Difícil
A espera...

         Adri Verdi


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domingo, 20 de maio de 2012

RETRATO



Sua cômoda repleta de retratos
Sorrisos alegres e sem maltrato
Expostos para relembrar momentos
Vividos em épocas da sua memória
Onde cada um trás sua história
De lugares lindos que visitou
E saudade que por lá deixou

Em sua cômoda falta um retrato
Na moldura que conta um relato
Aquele que tirou pra esquecer
E dele tu não quis mais saber
Ignorando que foi importante
E jaz na gaveta em que guardou
Com a foto de quem muito amou

                        Alexandre Taissum


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DESERTIFICAÇÃO



Era verde,
Tornou-se árido.
Solo estéril,
Incapaz de fazer nascer.
Por ali já passaram borboletas
E um rio que ousou desaparecer...
Molhei meus pés naquelas águas,
Que por vezes me fizeram escorregar
No limo que cobria as mesmas pedras,
Que hoje , desnudas, teimam em ficar.
Não ouço o barulho da floresta
Não vejo animais se revelando
Só sinto o cheiro das queimadas
E da fumaça que vou respirando
Quando era bem pequenina,
Bastava fechar os olhos para não ver
Aquilo que não queria,
Ou que me fazia sofrer.
Hoje, já não basta fechar os olhos
É covardia deixar de ver
A natureza que se vai embora
E que não quero e não vou esquecer.

                                       Cristina Ferber


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sábado, 19 de maio de 2012

O CANTINHO DE UM POETA



Um poeta andarilho
No seu peito encontrou
Um cantinho apertadinho
Aconchegante e quentinho
Onde por lá se aninhou
Lá é muito escurinho
E pouca luz o chega
Só quando tu olhas pro céu
E a luz da lua veja
Aí essa luz entra
Através dos seus olhos
E invade esse cantinho
Deixando-o ver um tantinho
Do luar que te encanta
E te trás a esperança

De lá, o poeta jamais sairá!
Por que ele sairia de lá?
Ele encontrou nesse lugar
O que os poetas procuram
Sossego pra suturar
As mágoas que não aturam
Dores que os machucam
E que não podem suportar...
Então esse poeta fica
E não vai mais largar
A pouca luz como noite
E a paz única do lugar
E da morada do seu peito
Se aninha e nos dispõe
As belas poesias que compõe...

                     Alexandre Taissum


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

GARRA DE JAGUAR



Todos o chamam
De Garra de Jaguar
Aquele jovem índio
De força singular
A mata ele domina
Nada podendo-o deter
Por ser hábil, ágil e veloz
E por coisa alguma temer.
Acurada e penetrante é a sua visão
Vinda de olhos verdes cintilantes
E com movimentos graciosos se aproxima
Sem dar um passo errante
Persegue com suavidade
Dentro da úmida e escura floresta
Sem nunca perder de vista
A presa que se tornou promessa.

                                               Cristina Ferber


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quarta-feira, 16 de maio de 2012

APARÊNCIAS



Minha vida são meus livros
         meus poemas
         minhas divagações.

Sou aspirante a um mundo inteiramente novo.

Não gosto de ver as coisas
como elas são
toca-me mais a emoção
do que a razão
toca-me mais a essência
do que a aparência.


                                        Sheila Camargo


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segunda-feira, 14 de maio de 2012

ARTE URBANA



Na parede corrompida
Surge um rosto de mulher
Em contornos suaves
Mostrando em desenho
Feminilidade...
Grafite que transforma o feio
Em obra de arte...
O amor precisa de espaço
De cúmplices,
E no desenho encontra seu traço.
Não há marchant, nem ateliê,
Somente as ruas
Eu e você,
Expressando o momento
Que não se quer deixar
Obra que não foi feita
Para durar...
Quem será ele,
O artista apaixonado?
Quem será ela,
O ser idolatrado?

                   Cristina Ferber


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domingo, 13 de maio de 2012

MÃE...



Mãe...
Uma palavra somente
Símbolo pra toda gente
Que é representado
Por uma mulher
Que muito requer
Sabedoria da criação
E muita dedicação
Que só ela consegue
Acima de tudo
Amar compadecida
À criança nascida
Do seu ventre
Ventre materno
Geração do eterno
Que trás à vida
Por sua gestação
Com a elaboração
De todo seu amor
De instinto fecundo
De sentimento profundo

Mãe...
Uma palavra somente
Mas que é procedente
De um ser magistral
Com amor original
Instinto pessoal
Próprio de mulher
Com carinho e paixão
Que por demais existe
Só no seu coração...

      Alexandre Taissum


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sexta-feira, 11 de maio de 2012

A SERENATA

                         
(de Adélia Prado)

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Adélia Prado


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A MESTRE POETA


Tela de Marcio  C.

Agora longe da juventude
A quem ensinou e aprendeu
Desprende-se com virtude
Da boa troca que lhe valeu

Ajudou a formar caracteres
Influenciou na boa educação
Formatou jovens para a vida
Com todo respeito e dedicação

E pra não sofrer com saudade
Toma o impulso da renovação
Dedica-se ao que melhor sabe:
Transcrever o mundo da ilusão

E assim alcançar o universo
Partindo das margens do Muriaé
Projetando histórias em versos
Excelência da Mestre Poeta que é...

                             Alexandre Taissum


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quinta-feira, 10 de maio de 2012

A CHEGADA DA MARIANA MENINA


Menina que chega
Lá na fronteira
Encanta o campeiro
Tropeirada ordeira
Fronteada pelo pai
Que por ofício sai
Cruzando gramados
Relvas e pastados
Que volta trotando
Pra vir conhecer
Menina que chega
Do jeito da mãe
E do pai assemelha
Marcando presença
Naquele canto da terra
Onde a geada afronta
O calor se inibe
A fala contagia
E o chimarrão
Que jamais esfria
O tropejar se cala
Para ouvir o choro
Que chega no colo
Do orgulho esguio
De uma mãe feliz
Em pleno frio
Da terra matriz
Na manhã clara
Em que o sol se apina
E o Pampa todo para
Pra contemplar
Mariana Menina...

         Alexandre Taissum


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quarta-feira, 9 de maio de 2012

AVES MIGRATÓRIAS



Elas sabem onde estão
E sabem para onde vão.
Têm estratégias para viver
E superar.
Voam sobre paisagens
E luzes invisíveis
Seguem o sol e as estrelas,
Decifram o ar...
Aves Migratórias
Que atravessam continentes
Visitam lugares inesquecíveis
Num mistério sem par...
Não sei quem sou
Ou para onde estou indo
Não conheço nem mesmo
O meu lugar.
Quisera eu,
Ser ave viajadeira
E quem sabe não sofreria
Por não querer ficar...

                  Cristina Ferber


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CORAÇÃO DE VAGALUME



Usando palavras
Nos mostramos ao mundo
Chegamos ao outro
E o tocamos profundo
Brincamos com elas
Criamos estratagemas
Fazemos metáforas
E lindos poemas...
Há palavras que ferem
E outras que aliviam
Umas são flechas
Outras são carinhos...
Cactos ou rosas
Urtigas ou jasmim
No nosso universo
Temos um imenso jardim
Então se um dia
Não puder escolhê-las
Talvez pela pressa
Ou por não conhecê-las
Fique em silêncio
Apenas sinta o perfume
E se deixe guiar
Pelo coração do vagalume.
Um dia te conto
Como é esse coração...
Por hora apenas demonstre
Sem palavras...
A sua mais genuína afeição!

                      Cristina Ferber


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terça-feira, 8 de maio de 2012

A SUBSTÂNCIA PRIMORDIAL (PENSANDO EM BLAVATSKY)



Nós a tocamos e não a sentimos
Nós a olhamos e não a vemos
Nós a respiramos e não a percebemos
Nós a ouvimos e a inalamos
Sem ter a menor noção
De sua existência.

Nela vivemos, nos movemos
E temos o nosso ser
Ela está presente em cada átomo
Que anima nossos corpos
Em qualquer de seus estados
Na sensação, no pensamento
E na emoção
Ela abre o ciclo da manifestação
Ela gira a grande roda
Ela é o caos, o éter, o calor,
A água, a eletricidade cósmica
E tudo que está acima e abaixo
Ela é a forca ativa de Deus
Movendo-se por cima
Da superfície das águas.

                                          Sheila Camargo


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FRAGMENTOS



Minha poesia precisa de ar para sentir-se viva
E não do mofo e do silêncio das esquecidas estantes.
Minha poesia precisa do frescor das manhãs,
Das carícias das brisas amenas
E não da letargia e do sono
Das folhas amareladas pelo tempo.
Minha poesia precisa do riso das crianças,
Do canto festivo dos pássaros,
Chego a temer vê-la sofrendo o exílio
Do calor do sol nas sombrias estantes da solidão.

A poesia, quando se recolhe aos livros
É para voltar mais poesia.
Quero minha poesia cada vez mais instigante,
Misteriosa, indecifrável.
Quero meus horizontes cada vez mais amplos,
Distantes, inatingíveis...

A noite movendo-se lentamente
E eu dormindo profundamente.

                                    Sheila Camargo


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EXPLORADOR SOLITÁRIO - PARTE II



Num fim de tarde perfeito,
Quando um impetuoso vento
Agitava os mais altos ramos
Do meu pensamento,
Minha mente, impregnada
Daqueles dias tempestuosos,
Voava alto e atingia
Picos longínquos.

E era já a tarde e ali estava eu, só,
Contemplando o horizonte tingido de violeta,
Já as nuvens tinham desaparecido de todo
E o céu era agora de um azul escuro profundo.

E eu vi quando brilharam os primeiros relâmpagos
E eu ouvi quando soaram os primeiros trovões.
Eu já os aguardava, em vigília inviolável,
Quando então tomaram conta do céu,
Com seu espetáculo de luzes e cores e sons...

Em meu íntimo fez-se silêncio e,
Reverente, a poesia voltou às origens. 

                                        Sheila Camargo


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FUTURO



Ela caminhava lentamente
Trazia o futuro no ventre
Sua face expressava tranquilidade
Serenidade e paz
Talvez um pouco de dúvida
Habitasse dentro do coração
Ou uma sensação de espera
Que ninguém pode explicar
Somente quem gera
Dentro de si um novo ser
Com registros definidos
Uma história a desvelar
Assim prosseguia a mulher
Ao encontro da vida
Que pulsava, mexia, virava
Incomodava carinhosamente
Como quem nada quer
Mas um aviso pronunciava
Verei a luz
Hoje eu vi o futuro
Mas ele estava escondido
Envolto pelo ventre materno
Porvir
                              Sonia Salim


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sábado, 5 de maio de 2012

APRENDIZ DE POETA



Quem me chama de poeta
Não sabe o que diz,
Sou apenas aprendiz
E tento ser feliz
Arrumando as frases,
Ritmando as palavras,
Descrevendo as fases
Das histórias que fiz
Pra levar às pessoas
Um pouco de distração,
Mexer com a emoção
E envolver o coração.

Isso é confissão...


        Alexandre Taissum


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RECORDAÇÕES DO CORAÇÃO



Ouço o soar do meu coração
Impulsionando a minha vida
E na mente muitas recordações
A cada ritmo das batidas.

Amores que fizeram meu peito
Parecer tributo orquestrado
Ritmando cada uma do seu jeito
Num coração de passos ordenados.

Interessante como cada amor
Que se colocou lá no passado
Ainda não saiu das lembranças
Desde que me fez apaixonado.

                            Alexandre Taissum


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VIAJANTE SOLIDÃO



Antes...
Relógio na parede,
Silêncio interrompido,
Tic-tac expressivo
Pra substituir a voz
Que é muda e algoz.
Na minha solidão...

Relógio na parede,
Denuncia à lembrança
De toda essa distância
E da amada, só a imagem
Enquanto estou nessa viagem.
Aumentando a solidão...

Relógio na parede,
Mostra o tempo não passar
E a lentidão faz atrasar
Em me trazer a hora
De voltar sem demora.
Pra sair da solidão...

Relógio na parede,
Vai se calar um dia
E livrar minha agonia
De toda essa saudade
Que me oferece por maldade.
Danada é a solidão...

Relógio na parede,
Ficará abandonado
Num canto lá jogado,
Pois pra casa voltarei
Pra quem sempre amarei.
Longe da solidão...

Relógio na parede,
Que atrasa meu tempo viajante,
Não quero mais viver distante
Da minha querida e amada
Que me espera apaixonada.
Liberto da solidão...

Relógio na parede,
Vou me livrar de você,
Voltarei para o meu viver,
Da minha casa, do meu lar
E eternamente lá ficar.
Ausente da solidão...

Hoje...
Não tenho mais relógio na parede,
Como de fato, não mais viajo,
E em casa com a amada ao lado,
Vivo a cada dia enclausurado,
Cheio de emoções e apaixonado.
Nem sei mais o que é a solidão...

                            Alexandre Taissum


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quinta-feira, 3 de maio de 2012

RESISTÊNCIA



Ela buscava
A si mesma
Enquanto
Sentia 
O vento
Cortante
Gelado
Queria
Testar
Seu poder
De suportar
A dor
Que o frio
Trazia
Despida
Deixando
Que o gelo
Envolvesse 
Seu corpo
Sua alma
Em chamas
Sabia
Perfeitamente
Sairia
Machucada
Mas ainda
Assim
Viva.

        Adri Verdi


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terça-feira, 1 de maio de 2012

JARDINS


No silêncio, habito,
Nele, busco um sinal,
Abro uma porta imaginária
Para um jardim imaginário
E com ele vou ter,
Com as pequenas vidas que ele guarda,
As folhas dormem
Lá onde o dia as havia deixado,
As flores dormem
Lá onde haviam brotado
Para pensar o dia...

                                         Sheila Camargo


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FIQUE...


Ouço...
Um silêncio
Contínuo
Ele te pertence
Ouço...
É amor próprio
Ele me empurra
Pra longe
Enquanto isso
A lágrima
Silenciosa
Brota
Escorre
Lava
Seu rosto
Despe
Sua alma
Silêncio
Absoluto
Por que?
Se  necessito
Que fique?



     Adri Verdi


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