Leiam, reflitam, sonhem, viajem e comentem... Os comentários são importantes para sabermos suas opiniões.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

MEIOS


Retratos da vida acontecendo
num entardecer
no começo do mês de novembro
a poesia buscando
         seus meios
e a ansiedade de sempre.

Às vezes fujo da inspiração,
invento um absurdo qualquer,
mas ela me cata e me acha
e me conduz, cordialmente,
para o destino que ela mesma
traçou para mim.

Mundos ricos
e experiências variadas,
são uma questão de instinto.

                          Sheila amargo


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RESGATE


Noite
Silêncio
Vento: norte
Estrelas: algumas
Lua: crescente
Som: Longes (Vitor Ramil)
Livro: A voz do silêncio
Sono: muito
Eu: com meus pensamentos
Desejo: a linguagem do sonho
logo...
logo nele estarei

                          Sheila Camargo


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OLHOS OBSCENOS



Olhos acesos
Verdes obscenos
Olham serenos
O corpo moreno
A desfilar
Postura sem par
Que quer registrar
Passagem feliz
Como matriz
De uma peça
Que sem pressa
Vem encantar...

Do outro lado
Da janela aberta
Um corpo moreno
Desfila feliz
Para quem quis
Somente observar
E até tocar
Com os olhos
De olhar sereno
De verdes obscenos
Pra satisfazer
O desejo de olhar...

                  Alexandre Taissum


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domingo, 29 de abril de 2012

A SENTINELA



Sinto alguém de sentinela
Me olhar pela janela
Ao passar na frente dela.

Percebo o brilho lacrimejado,
Umedecido e emocionado
Pelo fim não planejado.

E esse olhar que me vigia
Ao ver o caminho que me guia,
Sofre de ciúme em demasia.

Olhar que descartou retratação,
E subestimou meu coração,
Hoje chora o fim dessa paixão.

Paixão ou amor? Não sei!
Do passado eu só sei
Que à ela me entreguei.

                       Alexandre Taissum


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PÉTALAS ENVELHECIDAS



Flor com pétalas
Murchas e envelhecidas
Ainda que cética
Não é desmerecida
Porque colorem os campos
Contrasta com o verde
Maravilham o olhar
E nos faz esperançar.

Se está envelhecida
É porque ultrapassou
A época da primavera
Com virtude alcançou
Um tempo maior que era
O que a natureza projetou
E mesmo longe da estação
Floriu o coração.

E no olhar do poeta
Apareceu em condição
De se igualar na posição
Das jovens e belas flores
Que se foram com a estação
Mas que ao permanecer
É fadada a colorir
A cada amanhecer.

                 Alexandre Taissum


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PAISAGEM



Vista da estrada
Segue encantada
A paisagem ao lado
Que parece acompanhar
O trajeto observado
Do viajante solitário
Em sua jornada diária
Contemplação solidária
De todo verde das matas
Que até parecem editadas.

Vista da estrada
Não mostra a verdade
Só o que retrata
Na imagem mostrada
Aos olhos de quem a vê
Porém muito maltratada
E demais devastada
A paisagem da natureza
Não tem mais pureza
E sofre degradada.

Vista da estrada
Ela enche de ilusão
Ao viajante em sua visão
Que nem se dá conta
Da grande destruição
E o viajante logo deixará
De contemplar sua leveza
Perdida na malvadeza
Dos ignorantes humanos
Que só buscam grandezas.

            

  














Alexandre Taissum



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quinta-feira, 26 de abril de 2012

PESCADOR


Um pescador
Um errante
Um errado
Por demais
Encantado
Por vidas alheias
De sereias
E baleias
Num mar de lamas
Ondas insanas
E marés levianas

Em cada porto
Pesca nativa
Com rede furtiva
Buscava presas
Sem surpresas
Conhecia sabores
Descobria amores
Sem se importar
Só queria fartar
Com ondas na areia
Da maré cheia

                Alexandre Taissum


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segunda-feira, 23 de abril de 2012

NÃO!

 

NÃO adianta olhar pra mim
Se não quer meus beijos
NÃO adianta saber de mim
Se ignora meus desejos
NÃO adianta entender de mim
Se não alcança meu anseio
NÃO adianta ler minhas poesias
Se não as sente em seu seio

NÃO me engane e nem a você
Se não quer ter
Um companheiro

NÃO finja me querer pra você
Se não puder me ter
Por inteiro

Então, NÃO!
NÃO insista
Melhor que desista
Me esqueça agora
Leve seu falso tesão
NÃO fique, vá embora!

Prefiro assim. Que seja agora...

                                             Alexandre Taissum


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domingo, 22 de abril de 2012

A MÃE TERRA MORRE



Tudo pode se acabar...
Os rios secam
Os ventos cessam
As luzes se apagam
Os sons se calam
As imagens amarelam
As chuvas evaporam
O clima aumenta
A lua se vira
O sol esquenta
E a Mãe Terra não vinga

Promessas irão continuar
Mentiras continuarão a chegar
Descasos irão comemorar
Valores continuarão emplacar
O povo irá se dizimar
E os políticos, os gananciosos e os corruptos?
Esses vieram pra ficar
Até o povo acordar
E de lá expulsar
Cada um que roubar
Ou em seu nome lesar...

Por isso volto a afirmar:
“O povo tem que aprender a votar”!

                             Alexandre Taissum


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ONDE ME ENCONTRO



Na calmaria
De um rio
Joguei-me
Entorpecentes
Águas quentes
Refletiam 
O sol
Envolveram-me
O prazer
Roubou 
A razão
O sentimento
Enfeitiçou
Incomodou
Chamei 
Minhas tempestades
Agitei
Tuas águas
Nadei
Contra a corrente
Lutei
Pela margem
Mas 
Tua força
Conduziu-me
Suavemente
Acalentou
O cansaço
Minha alma
Se envolveu
Permitiu-se
Mergulhar
E tuas águas
Limpas e profundas
Me tomaram
Decidi então
Jamais sairia
De ti
Serias
Minha morada

                Adri Verdi


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BOM DIA DA TERRA


"Sucede que a floresta não pode dizer.
A floresta não anda.
A selva fica onde está.
Fica à mercê do homem.
Por isso é que há quatro séculos o homem vem fazendo da floresta o que bem quer, sempre que pode.
Com ela e com tudo o que vive nela, dentro dela.
A floresta entrega o que tem.
São séculos de doações do que a floresta amazônica tem de bom para a vida do homem da região
e das mais afastadas partes da terra."

                     Thiago de Mello, "Mormaço na floresta"



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MUSA



A verdade pode doer,
Mas não mais que a mentira
Quando o cinismo vem prover
E muito fazer sofrer
Não dando pra conter
O peso da falsidade
E da dupla idoneidade
De quem quer ser
Real de verdade
Aos olhos da musa
Que encanta multidão
Por sua aptidão,
Sua inteligência
E sua eficiência
Em preservar amigos
Espalhados em veios
Pelo mundo dos meios
Da comunicação atual
De forma sem igual
Como se faz parecer
E a mim, convencer
De que poderá ser
Minha inspiração...

                 Alexandre Taissum


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sábado, 21 de abril de 2012

SEGREDOS



Pode ser que a gente nunca entenda
os ventos, as nuvens e a chuva
e as pedras do caminho,
as coisas que a gente carrega
no fundo do sentimento,
as coisas que a gente esconde
nas estantes do esquecimento.

Um segredo para eternizar
uma tarde no começo
do mês de janeiro,
uma tarde que não cansa
de ter o seu silêncio,
uma tarde que não cansa
de entardecer.
                                        
                           Sheila Camargo


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MISTÉRIO



Existe um mundo do outro lado do mundo
que não apercebemos, que desconhecemos.
Não é translucido e tampouco imundo ou sujo
o mundo que se encontra do outro lado do mundo.

É um enigma profundo o mundo que reside no outro lado do mundo

Encoberto por uma manta tênue nos engana com sua sutileza,
escondendo de trás do manto a majestade de sua beleza.
Um espelho de reflexo inverso é o que ele nos apresenta
o ar, a água, a mata é em verdade o que nos sustenta.

Este mundo nada obscuro nos protege e acalenta,
agasalha e alimenta, sem rancor apesar do fato,
de todo desprezo por nós a ele dispensado.

Incompreensível.


                                                         CãRiùá TaTaRaNa



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segunda-feira, 16 de abril de 2012

INESQUECÍVEL, TEU NOME


Nas alamedas de minha vida
Caminhei cantarolando
Teu nome, pessoa querida
Eu vivia chamando

Era um fixo pensar
Desejava não querer
Mas tão doce, seu olhar
Sobre mim queria ter

Suas mãos a me afagar
Era toda fantasia
O desejo de te amar
Me tomava de alegria

Mas era tudo embriaguez
Me embebedei deste amor
Perdi a lucidez
Não percebi a sua dor

Essa dor me atingiu
Machucou que até sangrou
O meu peito se abriu
Teu desprezo me cortou

Hoje meu passeio é silencioso
Minhas alamedas ainda florescem
Em meu refúgio precioso
As flores favoritas crescem

Não desprezarei a paisagem
Apesar de não mais cantar
Teu nome foi passagem
Mas sempre hei de lembrar

                                                             Adri Verdi


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FLOR RESISTENTE


Descobri num canto do mato
Uma flor muito resistente
Castigada por intempéries
Mas forte e sobrevivente

O sol é quente e resseca
O vento desloca em balanço
Mas sempre chega a noite
Que se recupera em descanso

E conversando com os vaga-lumes
Faz-se importante nos campos
Todas as mariposas a sobrevoam
Seguidas pelos pirilampos

E aos primeiros raios de sol
Ela está lá, forte para viver
Reagindo ao ciclo destruidor
Que os dias trazem pra valer

E novamente chega a calma noite
Que traz o luar brilho de prata
E de volta os insetos pra conversar
Em zumbidos ritmados como sonata

E assim vai resistindo a flor
No canto do mato em que ela é
A única que reage com o luar
Fincada na margem do Muriaé...

                                                   Alexandre Taissum


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DESPREZO INJUSTO


Abandonado nesse mundo
Inseguro e perdido
Teria preferido
Não ter conhecido
A luz que me iluminou
Por fase que passou
Dourados que brilharam
E me proporcionaram
Belas poesias
Boas alegrias
Mas que ao se apagar
Me fizeram chorar...

A dor foi forte
O desprezo injusto
A distância no corte
Deram-me um susto
Mas superei sozinho
Descobrindo caminhos
Sem brilhos para iluminar
Tentando lá chegar
Ao dito final feliz
Que me escapou por um triz
Me deixando infeliz
Até que o brilho voltou...

Voltou há pouco
Sem muito iluminar
Mas que eu vi luzes
Reluzindo num olhar
Me dando esperança
De poder voltar
A ter inspirações
Viver novas emoções
Com muitas alegrias
Oferecendo à poesia
O amor que meu coração
Dispõe em demasia...

                                      Alexandre Taissum


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sábado, 14 de abril de 2012

GUERREIRO MENINO


Ajoelha cansado
Guerreiro Menino
Triste e assustado
Com a rudeza
Do destino.

O rosto coberto
Esconde a sua dor
Os olhos aflitos
Procuram amor.

Te tomo em meus braços,
Te afago com carinho
Seu corpo
É o meu corpo
Minha alma
Seu caminho.

E amanhã,
Seu coração descansado
De tanta loucura e dor
Baterá com mais fé...
E lutará,
Com o mesmo amor.

Nunca desista, Guerreiro Menino!

                                                                    Cristina Ferber


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terça-feira, 10 de abril de 2012

O PARADOXO DA CIDADE.



Eu vi um pôr-do-sol
Que deixou o céu rosado
Nuvens cinzentas refletiam
No lago prateado

Vi botos nadando pra todo lado
Cercavam um cardume
Este, "fervia" na superfície da água
Agitado, apavorado

Vi uma casinha "bêbada"
Se equilibrando em palafitas
Da varanda, jogaram uma rede
Voltou com peixes, garantia pra alguns dias

Vi pessoas aproveitando o sabor da água de côco,
Adocicado...
Outros sentindo o gosto
Do próprio suor
A escorrer pelo rosto,

Salgado...
Vi carros importados, vidros escuros
Ar condicionados
Trabalhadores transportados em caçambas
Comendo poeira, amontoados

Vi garotos pilotando suas motos
Sem capacete, sem carteira, sem juízo
Sinto pena, a morte chegou cedo pra alguns
Sem perdão, sem volta, sem aviso

A cidade é assim...
Cercada pela exuberância e riqueza da natureza
Mas contendo muitos casos de
Descaso, negligência e pobreza.


                                                                                                                      Adri Verdi.


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sábado, 7 de abril de 2012

PROCURA-SE


Chama-se Jesus.
          É chamado de Messias.
          Não tem ofício nem residência.
          Diz ser filho de Deus, e diz também que desceu do céu para incendiar o mundo.
          Foragido do deserto, anda alvoroçando aldeias.
          É seguido por malandros, mal-nascidos, mal-feitores, mal-viventes.
          Promete o Paraíso aos miseráveis, aos escravos, aos loucos, aos bêbados e às prostitutas.
          Engana o populacho curando leprosos, multiplicando pães e peixes e fazendo outras magias e feitiçarias.
          Não respeita a autoridade romana nem a tradição judaica.
          Viveu sempre fora da lei.
          Está há trinta e três anos fugindo da sentença de morte que recebeu ao nascer.
          A cruz espera por ele.


Eduardo Galeano
Espelhos - uma história quase universal
pg. 64

Por Sheila Camargo


* A figura que ilustra o texto foi adquirida na internet e está sem restrições para o uso. Como não tem crédito e não identifica os personagens de fundo e do primeiro plano, nada sugere que seja o lider cristão, portanto, qualquer semelhança é mera coincidência.


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sexta-feira, 6 de abril de 2012

PENSANDO NO PESEACH


Quero liberdade
Não quero algemas
Quero distância
Da alienação do sistema

Sistema que mente
Persegue, incomoda
Abandona os fracos
Negligencia e poda

Quero justiça,
Igualdade, autonomia
E que os políticos
Se envergonhem da hipocrisia

Quero honra,
Expectativa, solução
Quero discernimento
E menos ostentação

Quero compaixão,
Clemência, sensatez
Quero o mundo
Com menos estupidez!

                      Cristina Ferber


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PONTOS DE VISTA / 5


Se os Evangelhos tivessem sido escritos pelas Santas Apóstolas, como seria a primeira noite da era Cristã?
          São José, contaria as Apóstolas, estaria de mau humor. Era o único de cara fechada naquele presépio onde o Menino Jesus, recém nascido, resplandecia em seu bercinho de palha. Todos sorririam: a Virgem Maria, os anjinhos, os pastores, as ovelhas, o boi, o asno, os magos vindos do Oriente e a estrela que os conduzira até Belém. Todos sorririam, menos um. E São José, sombrio, murmuraria:
           - Eu queria uma menina...

Eduardo Galeano
De pernas pro ar - A escola do mundo ao avesso
pg - 69

Por Sheila Camargo



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quarta-feira, 4 de abril de 2012

CAPITU


Culpada porque seduz,
Mas não nos seduzem as flores?
Culpada por envolver,
Mas não nos envolve a luz,
Até a ponto de arder?
Culpada pelo olhar profundo,
E não é profundo o universo,
Que abriga o nosso mundo?
Enfim, culpada por ser mulher,
E reunir em sua tão delicada forma,
A coragem,
A audácia
E o prazer,
De buscar dentro da vida,
O que lhe possa satisfazer.
Culpado não seriam os ciúmes,
Daquele que tem medo de perder,
Mesmo que seja por um vislumbre,
A idéia de ser dono de outro Ser?

                                                                       Cristina Ferber


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segunda-feira, 2 de abril de 2012

UM SONHO NO INTERIOR


Eu queria muito estar agora,
Numa varanda coberta de flora,
Numa cadeira macia de balanço
Onde pássaros voassem em avanço
Até próximo de mim...

Chegar lá antes do sol nascer
Esperar calmamente a fim de ver
O orvalho evaporando devagar
E sobre pétalas coloridas secar
Bem próximo de mim...

Sentir o cheiro do café passando
No calor do fogão de lenha estalando
E na mesa farta de especiarias
Alimentos da manhã com iguarias
Do interior próximo de mim...

Depois ver a amada entrar pela porteira
Escondida atrás da bela roseira
E da varanda sentado à cadeira
Contar seus passos até a cabeceira
Que fica próxima de mim...

Recebê-la com um abraço apertado
Com beijos úmidos de um apaixonado
Isso é o que mais desejo antes do entardecer
E abraçados ficar até a lua aparecer
E chegar próxima de você e de mim...

E na noite reservar um tempo de certeza
Pra assistir os reflexos na correnteza
Do brilho da lua que visita o Muriaé
E depois juntar todo esse encanto ao dessa mulher
Ainda longe de mim...

                                                                              Alexandre Taissum


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