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sábado, 29 de dezembro de 2012

IMIGRANTE LUSITANO



Vindo da Lusitânia em nau de imigrantes
Viu espumada sobre as águas toda a distância
Deixou misturarem-se a elas, suas lágrimas
Logo que se viu fora da sua pobre infância

Cruzou o Atlântico por longos dias em pranto
Na incerteza se encontraria dias nebulosos
Só sabia do seu destino por contos falaciosos
Relatados por quem vendia sonhos fabulosos

Ao chegar à baía mais famosa das histórias
Encantou-se com formações estampadas ao fundo
Rochas que se deixavam beijar pelas ondas do mar
Pareceram-lhe como a melhor freguesia do mundo

Depois da quarentena, fincou os pés em solo firme
E procurou seu destino a frente do corpo cansado
Distante de seus pais e da quinta que o sustentou
Ergueu-se aqui, como chofer de ilustre abastado

Dentre muitas histórias e aventuras insólitas
Formou família e estendeu entre nós longa idade
Mas sua lembrança jamais saiu daquela Vila Chã
Onde deixou sua outra família envolta na saudade

E jamais tendo voltado a sua terrinha natal
Chorava as lembranças nítidas do que lá viveu
As lágrimas lhe corriam pela face, olhos abaixo
Seguindo trilhas de rugas que o tempo lhe deu

Saiu aos dezessete anos do seio dos seus pais
Deixando-os com os fardos que também foram seus
E depois da longa vida sem apogeu para comemorar
Destinou suas últimas palavras ao neto seu,
Que sou eu...

                                                         Alexandre Taissum


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quinta-feira, 31 de maio de 2012

AMORES QUE RECICLAM



Duas meninas lindas
Que chegaram por aqui
São duas as netinhas
Menina Manu e Menina Gabi.

Uma muito calminha
A outra nem tanto
Ficam as duas felizes
Quando chegam ao meu canto

Muita é a bagunça
Miudezas pra pegar
Não querem só olhar
Querem mexer e brincar

A casa ganha outra vida
Nos curtos finais de semana
Viram tudo pelo avesso
Meninices que a dupla emana

A alegria espalhada contagia
A vovó coruja se dedica
Os pais se acomodam em demasia
E o vovô babão só implica

Mas quando se vão embora
E às suas casas tornam
O belo domingo se fecha
E os avós tristes choram

Só quem tem netinhos sabe
A alegria que eles aplicam
Mudam toda a nossa vida
Com o amor que nos reciclam

                  Alexandre Taissum

 * Este poema é uma homenagem às minhas
netinhas Manuela e Gabriela.


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