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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A DANÇA DAS SOMBRAS



Foi-se a noite, madrugada entrou,
Sais e aromas, ruídos e sussurros.

Eu tenho olhos igual a você,
Mas você não vê as coisas que eu vejo.
Eu tenho sentimentos igual a você,
Mas você não sente as coisas que eu sinto.
E eu estou muito longe agora
Para anunciar a você as coisas que eu vejo
E as coisas que eu sinto.

Eu vivo inquieta e indecisa
Esperando um encontro que não vem,
Eu durmo ansiosa e indecisa
Esperando um sonho que não vem,
Sem saber se o tempo volta.
Aí eu ia poder te dizer uma coisa,
Nem que fosse só mais uma vez...

São ruídos cada vez mais soturnos,
São sombras cada vez mais profundas
À medida que a madrugada avança
E toma conta do céu,
Deixando entrever brilhos ardentes.

Nem sempre a estrela que te brilha mais
É a que te parece mais próxima.


                                             Sheila Camargo


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sexta-feira, 25 de maio de 2012

MEU REI



Meu Rei me guia por águas calmas
e solos férteis e planos.
Em suas terras não há vento
Nem lágrimas de desencanto.

Com Ele nada temo,
não conheço incertezas e ansiedades
pois Meu Rei só tem palavras
de doçuras e bondades.

Em seus olhos encontro o céu
em sua voz encontro o mar
em seus gestos me entrego ao mundo
amando a todos e me deixando amar.

Quando estiver aflito,
vá às terras do Meu Rei
ande pelos seus caminhos
E ouvirá: Nunca te deixarei!

                                        Cristina Ferber


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sábado, 19 de maio de 2012

O CANTINHO DE UM POETA



Um poeta andarilho
No seu peito encontrou
Um cantinho apertadinho
Aconchegante e quentinho
Onde por lá se aninhou
Lá é muito escurinho
E pouca luz o chega
Só quando tu olhas pro céu
E a luz da lua veja
Aí essa luz entra
Através dos seus olhos
E invade esse cantinho
Deixando-o ver um tantinho
Do luar que te encanta
E te trás a esperança

De lá, o poeta jamais sairá!
Por que ele sairia de lá?
Ele encontrou nesse lugar
O que os poetas procuram
Sossego pra suturar
As mágoas que não aturam
Dores que os machucam
E que não podem suportar...
Então esse poeta fica
E não vai mais largar
A pouca luz como noite
E a paz única do lugar
E da morada do seu peito
Se aninha e nos dispõe
As belas poesias que compõe...

                     Alexandre Taissum


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