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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MUNDO ILUSÃO


O mundo onde vivo é ilusão
O amor, ápice dos sonhos
Os desejos, brilhos na emoção
E as lembranças que mantenho
São heranças do teu coração

Queria poder voltar à realidade
E viver como um ser normal
Queria sonhar com a verdade
Acordar de um sono tranquilo
E te ver como a minha metade

Mas o sopro dos meus suspiros
Levaram até o seu doce perfume
Que pairavam sobre o lençol incutido
Ainda que protegido pelo meu corpo
Não perduraram ao tempo furtivo

O mundo onde vivo é só ilusão
Queria poder voltar ao passado
E ter você habitando minha paixão
Tornar a provar teus lábios úmidos
E sentir o palpitar do seu coração


                            Alexandre Taissum


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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

100 CONTOS

Vovô Euzébio

Histórias contadas
Abafadas, engraçadas,
Causos ou trapalhadas
Tristes ou envergonhadas

Histórias de vida, da vida
Do íntimo, de sabedoria
De todas as voltas e das idas
Histórias cansadas, vividas

Passagens de sonhos e encantos
Que durante anos se fizeram
Em prosas, versos ou cantos
Ouvi-las!? Todos quiseram

Nada mais emocionante
Que sentar-se ao lado do velho
Ouvir o que ele tem pra falar
Meditar sobre o que ele contar

Desde quando era criança
Ouviu muitas histórias alheias
E aprendeu contar das suas
Para a gente que o rodeia

E nessa longa caminhada
Em cada conto uma experiência
Uma centena de histórias
Um centenário de excelência...

                    Alexandre Taissum


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sábado, 12 de janeiro de 2013

GESTOS MEUS E TEUS...




Seus olhos fixos nos olhos meus
Querem me falar pelos lábios teus
O que tua voz falha aos ouvidos meus
Tudo o que fomenta aos sentimentos teus.

Tuas mãos procuram os cabelos meus
Para acariciar como faço aos teus
Abraçada, tu te perdes nos braços meus
E num beijo mostra todos os sabores teus.

Caminhando assim aos passos meus
Encontraremos juntos os sonhos teus
Sedutora, alimentará os desejos meus
Amável, corresponderei aos anseios teus.

E é assim que os gestos meus
Amam os gestos teus...

                                       Alexandre Taissum


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sábado, 29 de dezembro de 2012

IMIGRANTE LUSITANO



Vindo da Lusitânia em nau de imigrantes
Viu espumada sobre as águas toda a distância
Deixou misturarem-se a elas, suas lágrimas
Logo que se viu fora da sua pobre infância

Cruzou o Atlântico por longos dias em pranto
Na incerteza se encontraria dias nebulosos
Só sabia do seu destino por contos falaciosos
Relatados por quem vendia sonhos fabulosos

Ao chegar à baía mais famosa das histórias
Encantou-se com formações estampadas ao fundo
Rochas que se deixavam beijar pelas ondas do mar
Pareceram-lhe como a melhor freguesia do mundo

Depois da quarentena, fincou os pés em solo firme
E procurou seu destino a frente do corpo cansado
Distante de seus pais e da quinta que o sustentou
Ergueu-se aqui, como chofer de ilustre abastado

Dentre muitas histórias e aventuras insólitas
Formou família e estendeu entre nós longa idade
Mas sua lembrança jamais saiu daquela Vila Chã
Onde deixou sua outra família envolta na saudade

E jamais tendo voltado a sua terrinha natal
Chorava as lembranças nítidas do que lá viveu
As lágrimas lhe corriam pela face, olhos abaixo
Seguindo trilhas de rugas que o tempo lhe deu

Saiu aos dezessete anos do seio dos seus pais
Deixando-os com os fardos que também foram seus
E depois da longa vida sem apogeu para comemorar
Destinou suas últimas palavras ao neto seu,
Que sou eu...

                                                         Alexandre Taissum


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