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domingo, 8 de janeiro de 2012

INFÂNCIA

Como era bom sentir o cheiro da boa chuva
Que o vento anunciava,
E depois a própria tempestade que vinha forte
Que tudo ali molhava,

E naquela rua pacata de um bairro pobre,
Onde nela morava,
Vivi toda a minha infância com felicidade
Por tudo que brincava.

Com amiguinhos vivi um mundo de ilusões
E sonhos que projetava,
Muito além do que meus olhos podiam ver,
Mas mesmo assim fantasiava.

E lá da nobre rua pobre onde me criei
De onde imaginava,
Parti para a vida adulta bem longe dali,
Que muito me esperava.

E hoje com saudade sinto falta daquela rua,
Naquele bairro que morava
E nunca esqueci dos amiguinhos de infância,
Que junto a eles, sonhava.

São momentos da vida que não voltam mais
Pra quem aproveitava,
Em cada instante da alegria em ser uma criança,
Inocente, me realizava.

Mais tarde vi os filhos que repetiam só um pouco
Das coisas que eu brincava,
Mas pra eles já existia a tal da tecnologia
Que cada um jogava.

Agora velho, acompanho netas que já chegaram,
E que até já esperava,
Mas nem tanto quanto se chegou a automação
Do qual eu nem precisava.

E hoje, elas só conhecerão minhas brincadeiras,
Das quais eu despertava,
Se eu contar a história do distante passado,
Que muito me encantava.

E na certeza que jamais acharão mínima graça
Do que me contentava,
Evitarei falar do teclado e do monitor colorido
Que na ocasião, me faltava.

E agora? Como encantar minhas meninas atuais
Se na história da vida que levava,
Não tinha disso pra ensinar e pelo mundo viajar
Aprisionado no que eu sonhava?

Mas sei que poderão compreender e até acreditar,
Como em meu pai, eu acreditava...
E assim, a distância do tempo modificou a vida
E deixou pra trás o que eu admirava...

E no futuro, a tecnologia poderá até me trazer
O cheiro da chuva molhada,
Ou o relâmpago estrondoso pelo céu riscado,
Mas jamais a infância romantizada.

                                                               Alexandre Taissum